Sobre Letras e Números.

Em um evento qualquer ouço uma pérola daquelas que abrem muito a nossa cabeça, trazendo uma compreensão maior sobre a eterna busca pela Autonomia:

“Quando o homem desenvolveu a escrita, aprendeu a pensar, mas quando ele desenvolve a matemática, aprendeu a raciocinar”

Parece simples e óbvio, mas nesses anos todos aprendi que a ojeriza pela matemática, desenvolvida em anos de bancos escolares enfrentando professores horríveis e exercícios incompreensíveis, destruiu em grande parte das pessoas qualquer vontade de usar o raciocínio matemático em suas decisões.

Esse é o legado mais desastroso do modelo de ensino industrial, pois na separação dos estudantes em exatas, humanas e biológicas, criou a falsa sensação de segurança de que, no futuro, não precisaremos ter contato com “matérias chatas” e poderemos viver em um “Ambiente Seguro”, sem a amolação de lembrar dos maus bocados nas mãos da professora.

A má notícia é que esse “Ambiente Seguro” de seguro não tem nada e, pior, é o maior destruidor de Autonomia e redutor de Liberdade que existe sem ser notado, criando dependência na tomada de decisões, recorrência a um tal senso comum e a eterna busca por dicas, listas, referências num nomadismo decisório que tem de tudo, menos raciocínio lógico e qualquer chance de dar certo e atender sua necessidade.

Hoje, de dez conversas sobre plataformas, modelos de negócios, processos de trabalho, em nove fica evidente que as lições de casa não são feitas adequadamente. Custos são ignorados ou mal alocados, preços são mal interpretados, benefícios exagerados ou ignorados e decisões são tomadas sem qualquer base racional.

Antes de começarem a jogar pedras, proponho o seguinte exercício, pense nas suas últimas decisões de plataformas tecnológicas, e responda para si mesm@:

  • quantas você decidiu usar só por serem gratuitas?
  • Quantas você decidiu pagar por não ter opção gratuita?
  • Quantas delas realmente te atendem em tudo que você precisa?
  • Quais delas você tem que fazer uma gambiarra, ou um processo complicado para dar a volta na falta de funcionalidades do plano gratuito?

Fazer contas, usar planilhas, manusear números é fundamental para a conquista da sua autonomia e de liberdade. Não estou falando de integrais duplas, derivadas, senos, cossenos, logaritmos, limites, equações polinomiais, mas matemática e estatística básicas, cálculo de custos, médias, desvios, projeções, que permitam a realização de uma análise básica de custo x benefício.

Não estou desvalorizando o papo com amigos (podem me internar o dia que fizer isso) e as dicas de ferramentas e plataformas, só estou sugerindo que as palavras são ótimas para acessarmos o subjetivo pensando e reconhecendo nossas necessidades, mas os números processarão essas informações e objetivamente nos mostrarão o nosso melhor caminho, que às vezes não é o mesmo dos nossos amigos….

Escrito por

Carl é um engenheiro de negócios com 25 anos de experiência na gestão de empresas e projetos de vários tamanhos para grupos privados e governos. Há 6 anos começou a criar e articular redes sociais começando com a Rede da Engenharia até o Projeto TEIA MG de massificação de uso da Web do Governo de Minas. Pós-graduado em Marketing pela ESPM, MBA em Finanças pelo IBMEC e mestrado em Administração pelo Mackenzie. Apaixonado pelas filhas Amanda e Stella, está sempre com elas passeando na ciclofaixa, assistindo um filme de sua coleção, ou no Twitter, Facebook, Skype entre outras ferramentas que ensinou as duas a usar.

Sem comentários ainda.

Deixe uma resposta

Mensagem